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Os primeiros voos

12.12.2015

 

Eu não sabia muito ao certo onde isso ia dar, mas sabia que algo muito forte dentro de mim queria que eu desse um passo a mais nos meus estudos. Após dias pesquisando cursos e sem chegar a nenhuma decisão, entreguei pro Universo para que me trouxesse o melhor para aquele momento. Pedido feito, pedido respondido. Apareceu um site de uma escola de São Paulo que oferecia o curso de Terapeuta Quântico, o coração bateu mais forte, e senti a confirmação naquele momento.

Me matriculei no curso e durante dez meses fiz a ponte aérea Brasília-São Paulo parecer muito familiar. Uma rota que me fazia me sentir em casa, apesar de nunca ter feito ela antes do curso. Não fiz amizades no avião em nenhum momento. Parecia que eu viajava sozinha em todos os voos. Cada viagem era intimista, silenciosa, introspectiva, como se me preparasse para cada novo ensinamento (ida) e para cada digerir de novas informações (volta).

 

Primeiro dia de curso e eu me deparo com esse rosto de menino.

"Que legal! Um colega jovem de curso....mas espera...ele está indo pra frente da sala, então... sério, esse é o professor???"

Notei que ele abraçava de uma forma muito especial e longa aqueles que se aproximavam. Era uma comunhão de amor, bonito de se ver e sentir. Eu pensei sobre o quanto é ótimo abraçar as pessoas de uma forma mais natural como ele fazia, sem pensar, racionar ou medir. Assim como a Amma, a Santa do abraço.

Notoriamente, aquele jovem adulto era mais novo do que eu. Não que eu seja velha. Mas era algo que transcendia o físico. Sua energia era inocente e espontânea. Uma pureza de sentimentos inundados em um mar de fé. Mas minha mente recém apresentada às práticas de não-julgamento não me deixava entregar totalmente a tudo que ele queria partilhar. De todos os modos, eu estava aberta a aprender. Os últimos sete (cabalísticos) anos da minha vida tinham me mostrado o quanto eu necessitava de mudanças. Era hora de aprender a ver novos horizontes e perspectivas, calçar a sandália da humildade e retomar o caminho de retidão, que outrora fora redundantemente circular.

 

Em seus primeiros trinta minutos de apresentação, conversa e presença, eu senti naquele jovem as diversas possibilidades a se alcançar. Não sei se era o que ele queria que eu sentisse, mas ressoou. Foi inevitável. Não se tratava de copiá-lo, nem tentar imitar suas ações, era pura e simplesmente me conectar com o divino em mim. Ele foi um instrumento, um mensageiro momentâneo que trouxe a informação para transmutar o “não sei o que fazer da vida” em “caminhe um passo de cada vez”. Ele foi um link que me ajudou a unir às melhores possibilidades que flutuavam ao meu redor naquele momento. Cada aula com ele era especial de tal forma que eu me emocionava, eu encaixava mais uma peça no meu quebra-cabeça. Eu queria contar sobre as aulas que eu tinha com ele pra todo mundo. Mas algo em mim também pedia para me tranqüilizar porque esse momento de partilhar chegaria.

 

Adquiri seu primeiro livro, Viajando na Luz, e passei o tempo entre a primeira e a segunda aula do curso revivendo, por meio da sua literatura, a experiência do Caminho de Santiago. Um caminho tão mágico, que independente de quantos dias permanece na estrada e de quão exotérica é essa vivência, te põe no eixo tanto quanto um joão-bobo precisa permanecer de pé. Obviamente, a experiência dele foi diferente da minha, mas percebo, em algum nível, o que nos motivou: a coragem e vontade de experimentar a vida e suas possibilidades, estando presente, onde seja, como um dos propósitos e sentidos principais.

 

Em um dos finais de semana de curso, o qual previamente nos informou que não teríamos aula com ele, eu e outros colegas estávamos caminhando para tomar café na rua ao lado da escola, e na esquina topamos surpreendentemente com ele; suado, apressado e ofegante como se tivesse atrasado para uma aula, e nesse encontro nos informou a mudança de planos, que ele (sim!) nos daria aula. Uniu suas mãos em namastê e seguiu sua rota dizendo que nos encontrávamos na sala de aula. Fiquei tão empolgada que teríamos mais uma aula com ele! Foi um momento tão simples e corriqueiro que até poderia soar normal para os mais céticos, mas ali senti um sinal do Universo. O que teríamos de aprender naquele dia iria tocar um pouco mais fundo na nossa ilusória sanidade. Não deu outra. Foi um dos dias que mais compartilhamos, que mais intercambiamos informações, o dia em que as palavras foram muito mais além do que simples fonemas. Ocorreram catarses. Ecoou muito forte, e pelo depoimento dos colegas, não foi só para mim.

 

Após a viagem, passei muito mal. Meu corpo entrou em guerra com meus pensamentos. E eu permanecia no meio pedindo paz, tremendo, suando e com febre. Pedi esclarecimento por tudo aquilo e recebi a resposta: que não dava mais para levar a situação empurrando com a barriga. Se eu tinha decidido ou pelo menos pretendia ser o que o coração pedia, eu tinha que mudar meus hábitos e assumir o que muitos não iriam compreender facilmente. Eu tinha que encarar críticas e preconceitos, sair da zona de conforto e olhar meu lado sabotador, abraçá-lo se necessário e dizer que mesmo que ele não quisesse cooperar, teríamos que seguir adiante, de uma forma ou outra as eclosões seguiriam ocorrendo. Chega de normose!

E assim, dez meses se passaram.

 

No último dia de aula, praticamente oitenta por cento do tempo foram vivenciados ao lado desse querido irmão. Ele iniciou e finalizou o curso honrosamente, bem como os outros professores, como uma das cabeças pensantes desse transmutador projeto. Conduziu quase todo o encerramento (umas 4 horas), aparentando nenhum cansaço e ofertando toda sua gratidão e alegria, e na minha interpretação, a sensação de dever cumprido com nossa turma.

Em um dos momentos finais, nos encontrávamos em um grande círculo, e ele pediu que cada um de nós verbalizasse o seu dom. Naquela altura, no auge dos meus trinta e tantos anos e após 10 meses de curso e imersão, já era para eu ter isso na ponta da língua. Então, começaram a dizer um a um o seu dom. Eu estava em uma posição no meio do trajeto circular, e as borboletas no meu estômago pareciam mais galinhas polvorosas e assustadas a ponto de colocar um ovo enquanto me perguntava apavorada e ininterruptamente “qual é meu dom? qual é meu dom? qual é meu dom?...calma, calma, calma...respira”. Como muitas vezes já me passou, foi nos 45 minutos do segundo tempo, em um momento de lucidez e entrega, numa jogada de escanteio, o gol olímpico surge.....

- COMPARTILHAR! Meu dom é compartilhar!

A roda seguiu seu caminho de belíssimos dons. E quando chega a vez dele de falar, ele diz (também): 

- COMPARTILHAR!

 

Neste último momento de curso, ele me abraçou de uma forma especial e longa. Aquele tipo de abraço observado outrora. O abraço de coração com coração, aquele que todo ser humano deveria oferecer um ao outro, e que eu estava entregue para receber e dar.  As borboletas (ou galinhas) do meu estômago subiram ao meu peito e se tornaram águias.

Não parei de voar desde então.

Deixei de pensar tanto em estar no alto ou embaixo, frente ou atrás. Liberto mais o passado e futuro.  Avalio menos o certo e errado. Simplesmente deixo-me existir. Ser. Respirar. Nascer e morrer. Me entregar e confiar. 

Esse professor anda por aí, seguindo seu caminho, e eu o meu. Já tivemos a oportunidades de nos abraçarmos outra vez após o curso, bem recentemente, com aquele sorriso que só o coração pode dar. E seja lá onde estivermos compartilhando, o amor fraterno nos conecta.

Jaya!

 

 

Oberom é professor de Yoga, palestrante e escritor. Difunde suas experiências e pesquisas sobre veganismo, Consciência Prânica e o 'processo de 21 dias' por meio de  workshops e vivências. Conheça mais sobre seu trabalho clicando aqui.

 

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